O candidato à Presidência Pablo Marçal (PRTB) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral nesta terça-feira a correção de sua declaração de patrimônio, reduzindo o total inicialmente registrado de R$ 7,4 bilhões para R$ 149,99 milhões. A defesa atribuiu a diferença a um 'erro de digitação'. Da nova soma, R$ 112,9 milhões correspondem a participações societárias, sendo R$ 80 milhões relativos à sua fatia de 80% na Aviation Participações Ltda.; o restante está distribuído entre fundos, renda fixa, quatro imóveis e saldos em contas correntes.
O episódio ocorre em meio a um cenário jurídico conturbado: Marçal já enfrenta condenação que o torna inelegível até 2032 e recorre das decisões. Uma liminar reconheceu sua filiação ao PRTB em 4 de abril e permitiu o registro da candidatura, mas a validade do registro ainda será avaliada pelo TSE até 14 de setembro. Enquanto isso, ele pode participar de atos de campanha; paralelamente, houve notícia de nova condenação e multa de R$ 420 mil relacionada ao mesmo processo de inelegibilidade.
Politicamente, a retificação expõe riscos imediatos à imagem do candidato. Mesmo que seja comprovado um erro de digitação, a oscilação entre cifras tão díspares complica a narrativa de controle e transparência exigida em candidaturas à Presidência. O episódio fornece munição a adversários e pode aumentar a pressão sobre a assessoria financeira da campanha, além de acender dúvidas entre eleitores e operadores políticos sobre a capacidade de gestão e a credibilidade pública.
No plano institucional, cabe ao TSE avaliar se houve falha formal ou intenção de omissão. A decisão prevista para 14 de setembro terá efeitos práticos: se mantida a liminar, Marçal segue na disputa com desgaste; se anulada, a rejeição do registro reordenará parte do tabuleiro eleitoral. Até lá, a retificação será um dos pontos centrais de contestação e de verificação pelos órgãos eleitorais.