O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) descartou nesta quarta-feira a possibilidade de assumir a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 no Senado. A declaração, feita durante o 7º Brasília Summit, encerra as especulações que apontavam o ex-presidente da Casa como um dos principais cotados para conduzir a matéria e desloca a definição para a presidência do Senado e para outros parlamentares interessados.
Pacheco afirmou que há vários senadores interessados no posto e que não integra o grupo que solicitou a relatoria. Apesar de recusar a função, avaliou o conteúdo da PEC como tendo teor adequado e defendeu que a tramitação seja conduzida de forma inclusiva, com audições e diálogo com trabalhadores afetados pela mudança. A proposta foi aprovada na Câmara há cerca de três meses e ainda aguarda decisão sobre o rito no plenário da Casa Alta.
A recusa do senador tem efeito prático: amplia a disputa interna por quem ficará responsável pela matéria e obriga a presidência do Senado a calibrar a estratégia de condução. A PEC é acompanhada de perto pelo governo federal e descrita por interlocutores como uma pauta com capacidade de mobilização popular em ano eleitoral, o que transforma a escolha do relator em uma equação política sensível para base e oposição.
Ainda na coletiva, Pacheco confirmou que foi sondado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre eventual participação em outra proposta — a PEC da Segurança — e condicionou qualquer envolvimento a indicação pela Mesa. Ele também reafirmou a decisão de deixar a vida pública ao fim do mandato e negou qualquer movimentação para uma vaga no STF. A sinalização de afastamento encerra, na prática, a trajetória política que o colocava como alternativa eleitoral em Minas e reduz a margem de manobra do Palácio e do Senado para encontrar um mediador de perfil técnico e de consenso.