Em meio à disputa política pelo protagonismo da obra, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta sexta-feira o papel do governo federal na abertura e operação do Hospital Regional de Divinópolis. Na cerimônia que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Padilha evitou citar nomes, mas deixou claro que a entrega do prédio é apenas uma etapa e que é preciso garantir equipamentos, profissionais e financiamento para que a unidade funcione de fato.

A estrutura foi construída e equipada pelo governo de Minas com recursos do acordo de reparação da Vale — e chegou a ser entregue simbolicamente no governo do então governador Romeu Zema. Alegações de mérito por parte de aliados de Zema se chocam agora com a atuação federal: a gestão operacional ficará a cargo da Rede HU Brasil por 20 anos, e o custo anual estimado para manter a rotina do hospital é de R$ 341 milhões, dos quais R$ 111 milhões serão financiados pelo Ministério da Saúde e R$ 230 milhões pelo Ministério da Educação.

A intervenção federal, além de viabilizar atendimento e formação de profissionais na região Centro-Oeste de Minas, tem efeito político imediato. Ao assumir o custeio e operacionalização, o governo federal retoma o protagonismo público sobre um equipamento de grande visibilidade, reduzindo o efeito simbólico da inauguração anterior e transferindo à União parte do ônus fiscal e da responsabilidade administrativa pela continuidade dos serviços.

Padilha também usou o evento para defender universidades e ciência, e para criticar a condução anterior da política de saúde sem citá-la nominalmente. O episódio ilustra duas consequências claras: a importância prática de transformar investimentos em serviços efetivos — não apenas em obra pronta — e o impacto político de quem aparece operando a máquina pública. Para o Planalto, abrir leitos e financiar a operação significa ganho político; para o estado e para opositores, a decisão cria uma nova narrativa sobre mérito e responsabilidade fiscal.