Brasília, DF – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu nesta terça-feira (3/11) argumentos de representantes de clubes que defendem a manutenção das apostas esportivas online e declarou apoio à proibição da modalidade. Em audiência pública convocada pelo presidente do STF, Luiz Fux, Padilha afirmou que a prioridade do governo deve ser proteger a saúde pública, não as receitas do futebol.
Em fala dirigida aos dirigentes, o ministro contrapôs interesses econômicos com danos sociais e sanitários e citou dados sobre mulheres afetadas pela dependência: "Ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes e os salários, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres, 65% delas que têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas".
Ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes e os salários, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres, 65% delas que têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas
Padilha também alertou para associação entre jogo e suicídio: segundo o ministro, estudos indicam risco 15 vezes maior entre pessoas expostas às bets. Ele disse haver aumento na procura por tratamento da ludopatia e que "A minha briga são os profissionais de saúde que sentem, na ponta das unidades de saúde, ao longo desses anos, um crescimento exponencial de pessoas que procuram os serviços para tratar da ludopatia".
Para dimensionar o problema, Padilha citou que 28 milhões de brasileiros apostaram nos últimos 12 meses e que 11 milhões apresentam comportamento de risco. O ministro afirmou ainda que atendimentos no SUS relacionados à ludopatia em jogos eletrônicos subiram mais de 200% entre 2018 e 2026. A audiência reuniu governo, setor de apostas, clubes e sociedade civil para debater os efeitos da proibição das bets.