Um boato sobre a suposta ressuscitação de um projeto para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida colocou a religião no centro da pré-campanha de 2026 e expôs a fragilidade do debate público em torno de temas sensíveis. A informação, inicialmente divulgada por jornalista em programa de TV, acabou sendo desmentida pela própria emissora, enquanto repercussões nas redes sociais obrigaram atores políticos e institucionais a reagir rapidamente.
O presidenciável Flávio Bolsonaro negou qualquer iniciativa e classificou a narrativa como mentira, repetindo críticas ao presidente Lula. Do outro lado, o vice-presidente e companheiro de chapa de Lula, Geraldo Alckmin, publicou vídeo garantindo que as tradições religiosas serão protegidas enquanto estiverem no governo — posicionamento que busca conter apreensão entre eleitores católicos e reforçar a imagem de estabilidade do Palácio do Planalto diante de um tema polarizador.
No terreno institucional, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, determinou a retirada de cerca de 1,6 mil postagens das plataformas Meta, X, TikTok e YouTube, por veicularem a atribuição falsa a Flávio Bolsonaro. A decisão, que afirma a notória inveracidade da informação, abre um debate relevante sobre o limite entre combate à desinformação e liberdade de expressão — suscitando críticas de quem alega censura, como o humorista Antonio Tabet.
Politicamente, o episódio acende alerta para a eleição de 2026: transforma uma questão pastoral em arma de disputa, pressiona candidaturas a darem respostas rápidas e confiáveis, e reforça o custo de narrativas virais não checadas. O histórico — um projeto de 2007 arquivado pela Mesa da Câmara — e a rápida retratação da emissora mostram que, num ambiente já tenso, boatos capazes de mobilizar comunidades religiosas podem ampliar desgaste e complicar estratégias tanto do governo quanto da oposição.