O candidato Eduardo Paes (PSD) comunicou a desistência da candidatura ao governo do Rio de Janeiro depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin negou recurso que questionava a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A determinação do TSE retotalizou os votos válidos excluindo os 274.411 votos atribuídos a Anthony Garotinho, e passou a assegurar a vitória de Douglas Ruas (PL) já no primeiro turno, com pouco mais de 50% dos votos válidos — uma vantagem de cerca de 74 mil votos sobre o limiar necessário.

Em nota, Paes afirmou que a maioria dos eleitores manifestou vontade por um segundo turno, mas ressaltou que a decisão judicial deve ser respeitada. O ex-candidato agradeceu aos mais de 3,7 milhões de eleitores que o apoiaram e disse que continuará vigilante: o PSD e seu grupo seguirão cobrando resultados e fiscalizando a gestão que representa continuidade do grupo político que governa o estado há oito anos. Paes também evocou a grave situação da segurança pública no Rio como justificativa para manter o compromisso com o Estado, mesmo fora da disputa.

O placar do TSE foi de 5 a 2 a favor da retotalização, e a formalização do resultado depende agora de ato do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O episódio começa no indeferimento do registro de Garotinho pelo TRE, seguido por recursos e pela indefinição sobre a contabilização de seus votos durante o período em que o recurso estava pendente. A decisão do TSE e a negativa de Zanin ao pedido levado ao STF encerram o litígio e confirmam a contagem que dá a Ruas vitória em primeiro turno.

Politicamente, a conjuntura muda de forma abrupta: a desistência de Paes interrompe uma disputa que já vinha sendo apresentada como provável ida ao segundo turno e acende alerta sobre a recomposição de forças no cenário estadual. Para o PSD e formadores de alianças, restam negociações sobre posicionamento na nova legislatura e estratégias de pressão política e administrativa. A situação também pode alimentar debates sobre a percepção de legitimidade do resultado e sobre a segurança jurídica nos casos de candidaturas impugnadas — temas que tendem a permanecer no centro do debate público nas próximas semanas.