Documentos fiscais obtidos pela CPI do Crime Organizado e divulgados pela imprensa mostram que o Banco Master transferiu cerca de R$ 80 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

Os registros apontam que os repasses ocorreram em 24 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões. O contrato previa inicialmente 36 pagamentos, mas foi interrompido antes do previsto, com suspensões a partir de novembro de 2025, segundo os dados remetidos à comissão.

Os números divulgados pela Receita Federal elevam a temperatura política ao expor repasses milionários no período de crise do banco.

A banca informou ter prestado consultoria jurídica, coordenado o trabalho de outros três escritórios e que não atuou em processos no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Também disse ter realizado 94 reuniões com representantes do banco durante a vigência do acordo.

As transferências ganham relevo diante da situação financeira do Master: quando o Banco Central decretou a liquidação, a instituição, que detinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, dispunha de somente R$ 4 milhões em caixa. O BC apontou baixa liquidez como motivo para encerrar as operações.

O episódio atravessa o debate público em meio à prisão do controlador Daniel Vorcaro, decretada em março, e à investigação da CPI. A divulgação dos pagamentos aumenta a pressão para esclarecimentos formais sobre critérios de contratação e sobre a compatibilidade dos dispêndios com a deterioração patrimonial do banco.

A proximidade temporal entre pagamentos e deterioração financeira exige esclarecimentos públicos que preservem a confiança nas instituições.

A CPI, porém, tem data para terminar: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, votou pelo encerramento na próxima semana, desafio que enfrenta resistência do relator Alessandro Vieira. O desfecho pode reduzir o espaço para aprofundamento de perguntas que agora pairam sobre o caso.