A Palver Insights divulga nesta quinta-feira (15/10) uma nova pesquisa sobre o segundo turno das eleições presidenciais entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-08028/2026, ouviu 5 mil pessoas e traz perguntas sobre preferência de voto, temor em relação ao resultado e participação no primeiro turno.

Além dos temas políticos, a Palver anunciou mudanças relevantes na metodologia: nova estratégia de recrutamento via internet com anúncios distribuídos entre redes sociais, opção de resposta “Ainda não escolhi” para captar indecisos e um modelo de ponderação — chamado calibração v2 — que passa a incorporar dados de filiação partidária do TSE, além de filtros demográficos da PNAD/IBGE. A empresa alerta que comparações históricas entre pesquisas devem considerar essas alterações.

Do ponto de vista político e analítico, as mudanças acendem alerta. Incluir filiação partidária na ponderação e alterar o recrutamento online pode deslocar perfis do eleitorado na amostra e tornar comparações com sondagens anteriores pouco confiáveis. Para campanhas e analistas, isso limita a leitura de tendências imediatas: oscilações pontuais podem refletir ajuste metodológico, não apenas movimento real de eleitores.

A pesquisa também chega em um contexto de abstenção elevada: 21,08% do eleitorado deixou de votar no primeiro turno (cerca de 33,4 milhões, segundo o TSE), o maior índice em eleição presidencial desde 1998. Perguntar aos entrevistados se compareceram às urnas é essencial para mensurar o eleitorado efetivo — e a própria taxa de abstenção vira variável central da disputa, com impacto direto em estratégias de mobilização e na legitimidade do resultado. Em todas as leituras, é preciso lembrar: sondagens são retratos do momento, não previsões, e as novas bases técnicas da Palver exigem leitura cautelosa dos números.