A pesquisa Palver divulgada nesta quarta-feira coloca Flávio Bolsonaro (PL) com 50% das intenções de voto contra 48% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, em um quadro tecnicamente empatado. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro do levantamento, de 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi feito pela internet entre 18 e 20 de outubro, ouviu 5 mil eleitores com 16 anos ou mais e está registrado no TSE sob o protocolo BR-04612/2026.

Na comparação com a sondagem anterior, publicada em 13 de outubro, Flávio mantém os mesmos 50%, enquanto Lula recua um ponto. O levantamento também detalha o comportamento entre eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno: entre os que escolheram Renan Santos (Missão), Flávio tem 42% ante 39% de Lula; entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) há empate técnico de 44% para cada um; já quem votou em Augusto Cury (Avante) no primeiro turno dá vantagem a Lula, 52% a 43% de Flávio — dado que chama atenção diante do apoio público de Cury ao senador do PL.

A pesquisa registra ainda alto grau de convicção: 79% dizem que nenhuma circunstância os faria abandonar a escolha atual. Entre os que admitem mudar de voto, 7% citam um escândalo grave, 4% mencionam eventual desistência ou impedimento de candidaturas e 3% apontam mudança no cenário econômico. Com percentuais tão próximos, esses pequenos contingentes e eventos de última hora podem ganhar peso eleitoral, mesmo diante da predominância de eleitores decididos.

Do ponto de vista político, a Palver acende alerta para a campanha de Lula ao mostrar um cenário mais apertado do que o esperado há semanas — sem, porém, indicar vencedor. A estabilidade de Flávio e a oscilação negativa do presidente complicam a narrativa oficial e reforçam a necessidade de resposta rápida na mobilização de eleitores e na logística de votação. Para a oposição, o dado reforça a hipótese de que a disputa será definida pela mobilização e por eventos de última hora; para o governo, amplia a pressão por reação. Trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva.