A terceira rodada da pesquisa Palver, divulgada em 21/9, mostra pela primeira vez o senador Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no principal cenário de primeiro turno. No levantamento estimulado, em que os nomes são apresentados ao eleitor, Flávio aparece com 42% contra 41% de Lula. Na pergunta espontânea, a vantagem também é mínima: Lula tem 40% e Flávio 39%. Renan Santos registra 11% e Augusto Cury 2%. No confronto direto, o senador surge com 47% ante 43% do presidente — diferença que permanece dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
A comparação com a rodada anterior mostra dinâmica favorável a Flávio: ele avançou de 40% para 42%, enquanto Lula manteve-se em 41%. Renan Santos cresceu de 9% para 11% e Cury recuou de 5% para 2%. A Palver entrevistou 5.000 eleitores recrutados por anúncios em redes sociais entre 15 e 18 de setembro, com amostra efetiva de 1.232 entrevistas após ajuste pelo desenho amostral; a margem de erro máxima é de 2,8 pontos percentuais (95% de confiança). A pesquisa está registrada no TSE sob BR-00860/2026.
Os números têm implicações políticas claras. Embora o resultado seja tecnicamente empate, a presença de Flávio na dianteira no cenário estimulado acende alerta para o governo e amplia desgaste político: sinaliza risco de erosão do núcleo de apoio e aumenta a necessidade de reação da campanha de Lula para reter indecisos e casulos de voto. O crescimento de Renan Santos também introduz um fator de dispersão que pode alterar estratégias de segundo turno. Pesquisas recentes de outros institutos confirmam a volatilidade: Atlas/Bloomberg mostra Lula à frente no 2º turno (47,1% a 42,6%), enquanto levantamentos como AtlasIntel e BTG/Nexus registram oscilações e leituras distintas da disputa.
Do ponto de vista prático, os dados reforçam que a corrida permanece aberta e sujeita a variações de curto prazo. A amostragem por anúncios em redes sociais exige cautela na interpretação, e a diferença pequena entre os principais nomes impede conclusões definitivas. Ainda assim, o resultado complica a narrativa oficial e eleva a pressão sobre aliados e a estratégia eleitoral do governo: se a tendência de crescimento de Flávio se confirmar em outras sondagens, será necessário recalibrar mensagens, cenários de campanha e a frente de mobilização para 2026.