A pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Palver coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação de segundo turno: 46% a 44%. O levantamento ouviu 5 mil eleitores pela internet entre 4 e 8 de setembro, tem nível de confiança declarado de 95%, margem de erro informada de 2,5 pontos percentuais e registro no TSE BR-05420/2026. Apesar da diferença nominal, os números configuram empate técnico dentro da margem divulgada.

No primeiro turno, a disputa também aparece apertada: com Pablo Marçal (PRTB) no cenário, Lula e Flávio pontuam 40% cada; Renan Santos (Missão) surge com 11% e Augusto Cury (Avante) com 4%. Sem Marçal, Lula tem 40% e Flávio 39%. Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados, Lula aparece com 39% ante 37% de Flávio, enquanto os indecisos sobem para 7%. Em confrontos alternativos testados pela Palver, Lula mantém vantagem em várias hipóteses, mas com margens reduzidas e participação relevante de brancos, nulos e abstenções em alguns cenários.

O instituto informa que a amostra é não probabilística, recrutada por anúncios patrocinados em redes sociais distribuídos segundo 30 cotas demográficas, com posterior calibração dos dados a partir de parâmetros da PNAD Contínua (IBGE/2024) e do TSE. Esse desenho permite traçar um retrato do momento eleitoral, mas exige cautela: amostras on-line não probabilísticas têm limites para generalização por sorteio, o que torna essencial interpretar a margem de erro e a estabilidade das estimativas com reserva.

Politicamente, o levantamento acende alerta para ambos os lados. Para o governo, a aparente recuperação do eleitorado bolsonarista complica a narrativa de vantagem confortável e amplia desgaste potencial do projeto de reeleição do atual mandatário; para a oposição, o resultado sinaliza que a candidatura de Flávio tende a consolidar competitividade nacional. A presença de nomes como Renan Santos com 11% e a fatia expressiva de brancos/nulos em alguns cenários mostram volatilidade e espaço para estratégia, mobilização e diálogos que podem virar o jogo até 2026. Em suma, a pesquisa é um retrato relevante do momento — não uma previsão definitiva — e aumenta a pressão sobre ambos os campos para ajustar estratégias e apelar a centrais de fidelização de eleitores.