Auxiliares do advogado‑geral da União, Jorge Messias, disseram ao Correio que a AGU não foi acionada para acompanhar o caso das mensagens atribuídas ao filho do presidente e que não haverá atuação institucional junto ao ministro do STF, André Mendonça. A posição oficial busca afastar qualquer percepção de intervenção direta da estrutura jurídica do Executivo no mérito das apurações.
A Polícia Federal, no entanto, havia acionado a AGU em 30 de julho para atuar contra medidas impostas por Mendonça que dizem respeito ao controle da operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias no INSS. No centro do inquérito estão mensagens encontradas no celular da empresária Roberta Luchsinger, nas quais, segundo a PF, Lulinha trata de negócios e cita reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) e o ex‑secretário‑executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa.
O recuo anunciado pela AGU reduz o risco imediato de que o caso seja interpretado como uma mobilização institucional do governo para influenciar procedimentos do STF. Ainda assim, o episódio expõe atritos entre as instituições: o pedido da PF à AGU para contestar medidas do ministro revela conflitos sobre controle operacional que têm potencial de alimentar narrativas sobre parcialidade e sobre interferência política nas investigações.
Na cena política, a investigação e a repercussão das mensagens já trazem reação de opositores e aliados. Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha de reeleição, aproveitou para reivindicar apurações contra a família do principal adversário, sinalizando que as investigações serão usadas como moeda política. Para o governo, o desafio será demonstrar transparência sem que a atuação institucional seja vista como proteção ou tentativa de influência.
Até que novas diligências ou decisões do STF alterem o quadro, a linha adotada pela AGU mantém o caso sob responsabilidade da Polícia Federal e do Judiciário, mas deixa claro que a disputa judicial e o debate político devem permanecer no centro da cobertura, com consequências potenciais para a campanha e para a confiança nas instituições.