Um levantamento divulgado pela Transparência Brasil em 13/7 revela que a Paraíba concentrou 43% dos recursos repassados pelo Republicanos por meio de emendas de liderança em 2025. Do total de R$ 218,4 milhões distribuídos em 260 emendas de comissão assinadas pela liderança partidária, R$ 95,1 milhões foram destinados ao estado de Hugo Motta, distribuídos em 84 alocações. Procurado pela reportagem, Motta ainda não havia se manifestado sobre o estudo.

O relatório amplia um problema já identificado em outros instrumentos orçamentários: a falta de rastreabilidade. A Transparência Brasil identificou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão executadas sem indicação nominal do parlamentar responsável. Segundo a entidade, a ausência de um identificador único para cada indicação impede o acompanhamento completo dos recursos, preservando características semelhantes às do chamado orçamento secreto.

O levantamento cita casos concretos para ilustrar a perda de transparência. Entre eles, um empenho de R$ 10,5 milhões à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com a empresa Comercial e Construtora Fenix Ltda. como beneficiária. A Transparência Brasil diz que a indicação teria partido de Hugo Motta, mas os documentos da execução mencionam apenas obras sob a 13ª Superintendência da Codevasf, sem detalhar os municípios atendidos.

O debate sobre o tema ganhou intensidade após decisões do STF, como o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado Eduardo Cunha relacionadas a emendas. Em reação às medidas judiciais, Motta criticou o que chamou de intervenção do Judiciário nas prerrogativas do Legislativo e afirmou que a destinação segue a legislação. Ainda assim, os números divulgados pela Transparência Brasil acendem um sinal de alerta para a liderança partidária e para a Presidência da Câmara: a concentração de recursos e a dificuldade de rastreamento aprofundam questionamentos sobre critérios de distribuição e exigem explicações públicas mais detalhadas.