Pedro Parente, ex-ministro nos governos Fernando Henrique Cardoso e ex-presidente da Petrobras, afirmou que o resultado do primeiro turno mudou a equação do segundo: com uma possível maioria de direita eleita para Câmara e Senado, aumentou, na sua avaliação, o risco de concentração de poder vinculada ao principal candidato do bloco. Apesar de não declarar voto — e já ter dito que não vota em Flávio Bolsonaro — Parente deixou clara a preocupação política e institucional que o caso representa.
A avaliação piorou após o jantar em São Paulo organizado por executivos, encontro que Parente disse ter frequentado para ouvir diretamente o postulante. Segundo ele, Flávio não apresentou um projeto de país articulado; as propostas econômicas que surgiram naquela mesa vieram de assessores — entre eles Daniella Marques e Roberto Campos Neto — e não do candidato. Para Parente, a possibilidade de moderação é um “enigma”, expressão que traduz incerteza sobre o rumo real do eventual governo.
O diagnóstico tem efeito direto no tabuleiro político. Parente compara o quadro ao dos Estados Unidos sob Trump, quando um presidente confronta um Congresso majoritariamente alinhado, e diz que isso amplia riscos concretos de atuação executiva sem freios. A troca com João Moreira Salles e a carta publicada no LinkedIn também expõem um embate dentro da elite econômica: parte dos executivos busca proximidade pragmática, enquanto vozes críticas apontam que esse realinhamento relativiza perigos para a democracia.
Do ponto de vista prático, a declaração de Parente acende alerta para eleitores indecisos e para atores do mercado: a percepção de risco institucional pode pressionar candidatos a detalhar programas e alianças, ao mesmo tempo em que complica a narrativa de moderação defendida por apoiadores do candidato da direita. Ao optar por não anunciar um voto, Parente mantém a postura de cautela, mas sua sinalização pública amplia o debate sobre consequências políticas e econômicas de uma eventual vitória com maioria alinhada no Congresso.