Um grupo de parlamentares e senadores dos Estados Unidos enviou ao secretário de Estado Marco Rubio uma carta na qual acusa a administração do presidente Donald Trump de conduzir uma campanha coordenada de interferência e desestabilização da democracia brasileira, segundo o próprio documento. O texto, divulgado nesta quinta‑feira, é assinado por nomes como o senador Bernie Sanders e as deputadas Pramila Jayapal e Alexandria Ocasio‑Cortez, e manifesta preocupação com uma série de medidas tomadas desde 2025 que, diz a carta, alteraram substancialmente a postura norte‑americana em relação às instituições brasileiras.
Entre os episódios citados estão aplicação de tarifas e sanções durante o julgamento do ex‑presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e a abertura de investigação comercial sob a Seção 301, que resultou em cobranças de até 50% sobre produtos brasileiros. Segundo os parlamentares, ações econômicas dessa natureza teriam sido usadas com objetivo de pressionar decisões da Corte em processos que envolvem Bolsonaro e empresas de redes sociais norte‑americanas. A carta também questiona escolhas no Departamento de Estado, como a nomeação de Darren Beattie para assuntos relativos ao Brasil, lembrando que ele foi impedido de entrar no país após divergências com o Itamaraty.
O documento destaca ainda a aproximação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, citado como candidato à Presidência, e menciona um encontro no Salão Oval em que teria sido solicitada a classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). Dois dias depois, o Departamento de Estado adotou a medida, segundo os signatários, o que, na visão deles, integra um padrão de intervenção que vai além de mera pressão diplomática e toca o núcleo da soberania institucional brasileira.
A carta acende alerta sobre o risco de escalada diplomática e amplia desgaste nas relações entre Brasília e Washington: politicamente, o episódio expõe uma mudança de tom por parte dos EUA que pode pressionar instituições brasileiras às vésperas do pleito. Do ponto de vista institucional, levanta dúvidas sobre limites entre política externa e interferência; do ponto de vista eleitoral, sinaliza mais um elemento de instabilidade no tabuleiro doméstico. As acusações, apresentadas com nomes de peso do Congresso americano, obrigam o governo norte‑americano a oferecer explicações públicas e colocam aliados de Brasília em posição de necessidade de clarificar vínculos e estratégias.