O Partido Missão divulgou nota nesta quinta-feira afirmando que foi alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta que resultou no registro de Flávio Bolsonaro em seus quadros no sistema do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a legenda, a tentativa foi identificada no início do mês e comunicada ao gabinete do senador já em 2 de agosto; os e‑mails teriam sido abertos, sem resposta. A sigla diz ter pedido a reversão do cadastro no mesmo dia, mas que o pedido foi negado pelo TSE.

A legenda anunciou que vai formalizar denúncia à Polícia Federal e ao próprio TSE, e que disponibilizará um relatório com logs, e‑mails e endereços de IP para identificar responsáveis. Em sua nota, o Missão nega qualquer interesse em incorporar Flávio, citando divergências ideológicas e as suspeitas que cercam o nome do senador, e repudia filiações de natureza fraudulenta.

O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, informou que a inclusão não decorreu de 'hackeamento' do sistema, mas do uso indevido de credenciais de uma sigla. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou representação à Procuradoria‑Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito. O Partido Liberal já protocolou pedido de desfiliação do Missão, que está em análise.

No campo político, o episódio complica a narrativa oficial do pré‑candidato e adiciona um componente de disputa sobre procedimentos e responsabilidades: Flávio Bolsonaro classificou o caso como uma 'armação' do sistema, enquanto as instituições e a legenda apontam para falha de controle e possível má‑feitoria interna. Mais do que atribuir culpa imediata, o episódio acende alerta sobre fragilidades operacionais nas filiações partidárias e exigirá respostas concretas da PF, da PGE e do TSE.