Deputados da oposição na Câmara dos Deputados da Argentina protocolaram, na manhã desta quarta-feira, pedidos formais para esclarecer a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país em sua rota para os Estados Unidos. Os pedidos, apresentados por figuras como o socialista Esteban Paulón e a peronista Juliana Di Tullio, questionam a atuação dos controles migratórios e apontam que o ex-candidato tinha ordem judicial que o proibiria de deixar o Brasil.
A deputada da Frente de Esquerda Myriam Bregman denunciou nas redes que o episódio revela hipocrisia política e pediu explicações públicas. Em Puerto Iguazú, a deputada Marcela Pagano chegou a protocolar uma denúncia criminal na Justiça Federal local, solicitando a preservação das imagens das câmeras da ponte e do aeroporto, os planos de voo, a lista de passageiros e o contrato do charter, além da investigação sobre possível tráfico de pessoas ou omissão de autoridades.
Segundo reportagens locais, Flávio Bolsonaro teria entrado na Argentina pela fronteira de Puerto Iguazú às 22h50 de terça-feira (26/10) e, cerca de 40 minutos depois, embarcado em um jato privado que seguiu para Guayaquil; a mesma aeronave teve sequência para os Estados Unidos. O relato motivou dúvidas sobre quem autorizou a passagem e sobre a eventual responsabilidade de agentes de migração ou de autoridades aeroportuárias.
Politicamente, o caso acende alerta para os vínculos entre forças de direita na região e complica a narrativa de rigor que alguns dirigentes pró-lei e ordem costumam sustentar. As solicitações de preservação de provas e as denúncias criminais transferem a disputa para esferas judiciais e diplomáticas: se confirmadas, as alegações podem gerar custo político para o governo argentino e pressionar por esclarecimentos também no Brasil, além de abrir caminho para investigações transfronteiriças.