Após a queda das opções de centro que vinham sendo avaliadas pela cúpula petista, o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) ganhou protagonismo nas articulações do partido como alternativa para disputar o governo de Minas Gerais. A mudança de rota ocorre num momento em que o calendário eleitoral pressiona decisões: o período de convenções, conforme o TSE, vai de 20 de julho a 5 de agosto e deve selar palanques estaduais que influenciam diretamente a corrida presidencial.
A direção nacional do PT trabalhou inicialmente com a hipótese de apoiar Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como forma de abrir o palanque a uma aliança de centro. Com a desistência do ex-presidente do Senado, e a opção da ex-prefeita de Contagem Marília Campos por concorrer ao Senado, o PT viu reduzir-se a margem para composições externas. Internamente, a falta de acordo com outras siglas e a determinação de manter candidatura própria em Minas reforçaram o movimento por um nome do partido.
Patrus reúne carreira pública ligada a políticas sociais e experiência executiva — foi ministro do Desenvolvimento Social entre 2004 e 2010 e ministro do Desenvolvimento Agrário em 2015–2016 — e é apontado por dirigentes como figura com menor rejeição em segmentos onde o PT tem dificuldade. Pesquisas internas, segundo relatos dentro da legenda, indicam que seu perfil pode facilitar o diálogo além da base tradicional do partido, ajudando a tentar recuperar a imagem institucional do PT no estado.
A escolha de Patrus, porém, não dissolve riscos políticos: a opção por uma candidatura petista própria tende a complicar negociações com centro-direita e pode limitar acordos capazes de ampliar o palanque de Lula em Minas, segundo analistas. Ao mesmo tempo, acelera uma agenda que a direção nacional quer fechar rapidamente para evitar vácuos em outras praças. O caso de Minas reforça a tensão que o PT também enfrenta em Goiás, onde Lula ainda busca convencer Adriana Accorsi a disputar o governo.