O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (23/4) que pretende instalar na próxima semana uma comissão especial para avaliar o mérito das duas PECs que propõem o fim da jornada 6x1. Entre os nomes cotados para a relatoria, Motta citou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), destacando sua experiência no movimento sindical e sua capacidade de interlocução na Casa.
Motta disse buscar um relator com habilidade para construir consenso: "alguém que tenha diálogo, compromisso público e preocupação com a responsabilidade". A referência a Paulinho busca dar legitimidade ao processo perante trabalhadores, mas também expõe o dilema político da pauta: como reduzir a jornada sem acirrar conflito com o setor produtivo e sem gerar impacto econômico sem previsão de compensações.
Na CCJ, onde as PECs tiveram parecer favorável, Paulo Azi (União-BA) foi o relator e recebeu elogios de diferentes bancadas — e chegou a ser considerado para a função na comissão especial. Azi disse que ainda não conversou com Motta sobre o cargo. A indefinição sobre a relatoria põe em evidência a necessidade de negociação e cria pressão sobre o presidente da Câmara para equilibrar demandas de trabalhadores, empresários e o próprio governo, que até agora não indicou nome.
A escolha do relator deve influenciar não só o conteúdo do relatório como o ritmo das negociações na Câmara. Um relator com perfil sindical pode dar impulso às propostas de redução de jornada, mas também ampliará o escrutínio sobre custos e efeitos práticos. Motta afirma querer construir "a maior convergência possível", mas a tarefa exigirá articulação para evitar contestações e desgaste político entre aliados.