O deputado Kim Kataguiri acompanhou o candidato Renan Santos em evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) e, ao final, apresentou Paulo Bijos como um dos nomes da equipe econômica. Kataguiri afirmou que o desenho da proposta, assinado por Bijos, prevê economia de R$1,1 trilhão em cinco anos. O anúncio foi feito em tom técnico, mas com medidas de alto impacto político: cortes em "supersalários" e revisão de privilégios tributários.
Segundo o deputado, a economia viria sobretudo do contingenciamento de vencimentos considerados excessivos em carreiras jurídicas do Executivo, magistratura, Ministério Público e diplomacia, além da revisão de benefícios fiscais concedidos a grandes conglomerados — estimada em ao menos R$38 bilhões por ano. Foram citadas ainda mudanças na indexação de benefícios previdenciários, do abono salarial e do BPC ao salário mínimo, medidas que mexem diretamente em rendas vulneráveis.
Há, porém, uma inconsistência que exige esclarecimento público: Kataguiri falou em R$1,1 trilhão em cinco anos, enquanto os cálculos atribuídos a Paulo Bijos apontam R$1 trilhão no mesmo período e R$3,3 trilhões em dez anos. Bijos, que esteve recentemente no Ministério do Planejamento e hoje é consultor na Câmara, é apresentado como o responsável técnico pelo plano — mas os números divulgados precisam ser alinhados e acompanhados de metodologia clara.
O conteúdo do anúncio acende alerta sobre custo político e factibilidade. Cortes concentrados em carreiras do Judiciário e do Ministério Público tendem a provocar reação institucional e disputas judiciais; revisão de benefícios fiscais enfrentará resistência de setores empresariais poderosos. E mexer na indexação de benefícios sociais traz debate sobre redistribuição e eventuais efeitos sobre a população de menor renda. Em campanha, a proposta funciona como sinal fiscal de seriedade, mas também abre vias para embates legais e eleitorais que a candidatura terá de detalhar e enfrentar.