O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo voltou a provocar repercussão ao criticar publicamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante transmissão ao vivo em seu canal do YouTube. A live, realizada um dia depois de Michelle publicar vídeos sobre desentendimentos familiares relacionados a divergências políticas, contou com ataques diretos à postura dela e menções também à senadora Damares Alves.
No debate, Figueiredo classificou Michelle e Damares como alinhadas a posições que chamou de feministas e argumentou que mulheres, especialmente as solteiras, costumam dar votos menos favoráveis a candidatos conservadores. Para reforçar o ponto, recorreu a metáforas e comentários de tom pejorativo sobre o movimento feminista, o que provocou reação nas redes sociais e ampliou a visibilidade do episódio.
Politicamente, o episódio tem efeito prático: acontece em meio a esforços da campanha de Flávio Bolsonaro para reduzir a resistência feminina à candidatura, num momento em que levantamentos mostram índice elevado de rejeição entre eleitoras. Comentários públicos de aliados que depreciam o eleitorado feminino aumentam o custo político da estratégia e dificultam a costura de uma frente mais ampla, inclusive a proposta de ouvir ou atrair desempenho de representantes do próprio PL Mulher.
Ainda que o voto seja secreto e a leitura por grupos demográficos dependa de pesquisas, o caso funciona como indicador de desgaste e falta de controle na retórica de apoiadores. Para o núcleo do candidato, a lição é dupla: conter falas que possam reforçar estereótipos e ajustar mensagens para recuperar confiança entre eleitoras — tarefa que passa por disciplina de discurso e respostas claras da coordenação de campanha.