O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, vai solicitar oficialmente transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A medida tem objetivo claro: abrir tratativas formais para um acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master. A movimentação ocorre em meio a intensa corrida entre investigados para apresentar versões e provas — uma disputa que pode redefinir responsabilidades e alvos do inquérito.
Houve mudança recente na defesa. O advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, habilitou-se nos autos e substitui Cléber Lopes, que saiu por decisão do cliente. Aragão disse ao Correio que, por enquanto, considerou prematuro pedir a transferência, pois acabou de se habilitar e aguarda decisões sobre a manutenção da preventiva no plenário virtual da Segunda Turma do STF, cujo julgamento está previsto para encerrar nesta sexta-feira às 23h59. Até o momento, constam dois votos favoráveis à manutenção da prisão.
A defesa de Costa deverá sustentar que negociações de delação não podem ocorrer dentro da Papuda porque o presídio é administrado pelo governo do Distrito Federal — circunstância que, segundo a tese a ser apresentada ao STF, poderia comprometer a segurança do investigado diante da possibilidade de ele apontar autoridades locais, entre elas o ex-governador Ibaneis Rocha. Fontes consultadas indicam que Ibaneis pode ser um dos alvos mencionados por Costa; o ex-governador nega participação em encontros para tratar de supostas irregularidades envolvendo o Master.
As investigações apontam que o BRB adquiriu carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões, consideradas por investigadores como fraudulentas e vinculadas ao Banco Master. A Polícia Federal identificou seis imóveis de alto padrão — quatro em São Paulo e dois em Brasília — com valor total estimado em cerca de R$ 146 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos. Na decisão que decretou a prisão, o ministro André Mendonça entendeu que Costa atuava como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Master, dentro do banco, participando das negociações e da escolha dos imóveis. Vorcaro também negocia acordo de colaboração, o que aumenta a pressão entre defesas: quem formalizar a delação primeiro e entregar provas pode reduzir a margem de manobra dos demais investigados. O desfecho do pedido de transferência e a posição do STF terão impacto direto não só no processo judicial, mas no jogo político em torno do BRB e da administração do DF.