O Partido Comunista Brasileiro (PCB) oficializou neste sábado a candidatura de Edmilson Costa à Presidência da República, com a professora Cleusa Santos como candidata a vice. A convenção nacional ocorreu na Câmara Municipal de São Paulo; a legenda tem até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral.
Secretário‑geral do partido e doutor em Economia pela Unicamp, Costa traz trajetória acadêmica e longa militância, que o partido recorda como marcada por perseguições na ditadura. Cleusa Santos, professora aposentada da UFRJ, entrou na chapa com currículo ligado a estudos sobre seguridade social e atuação sindical. O PCB também confirmou candidaturas estaduais, com Carlos Machado ao governo de São Paulo e Petter Maahs na disputa pelo Senado.
No documento aprovado na convenção, o PCB defende medidas econômicas e institucionais de ruptura: estatização do sistema financeiro e de empresas, criação de um “Banco dos Trabalhadores”, suspensão do pagamento da dívida pública, maior controle estatal sobre câmbio e comércio exterior e a transformação do Congresso em casa única, com a extinção do Senado. São propostas que, segundo o próprio partido, visam redirecionar recursos para políticas sociais.
Do ponto de vista político e institucional, as medidas anunciadas têm baixa viabilidade imediata: exigiriam mudanças legais complexas, amplo apoio no Congresso e enfrentariam resistência de atores do mercado e do Judiciário. Eleitoralmente, o PCB parte de uma base reduzida nas urnas — registros anteriores mostram desempenho marginal em pleitos passados — o que limita sua capacidade de converter a agenda em poder de decisão. Ainda assim, a candidatura formaliza uma alternativa de esquerda radical no debate público e pode exercer papel de pressão sobre temas econômicos e sociais durante a campanha.