O PDT lançou na propaganda de TV em Minas uma bandeira direta: a quebra da patente do Mounjaro (tirzepatida) para permitir a produção com preço mais baixo e ampliar o acesso. A iniciativa, encabeçada pelo deputado federal e presidente regional do partido Mário Heringer, tenta transformar uma pauta de saúde — e de custo dos medicamentos — em diferencial eleitoral para a sigla no estado.
Heringer, que também é médico, argumenta que o medicamento tem impacto relevante sobre obesidade e diabetes e que a atual exclusividade de patente — mencionada no discurso como válida por 20 anos — impede que o Brasil obtenha tratamentos mais baratos mais cedo. O PDT pretende levar o tema para o terreno da política pública, defendendo que o acesso ampliado reduziria internações e complicações crônicas, o que, em tese, aliviaria pressões no sistema de saúde.
A movimentação política tem recado duplo: apela ao eleitor preocupado com custos e acesso à saúde e ao mesmo tempo testa a capacidade do partido de converter propostas em diferenciais de campanha. No cenário mineiro, Alexandre Kalil é o nome ligado ao PDT; pesquisas da Real Time Big Data citadas pelo partido mostram Kalil com 14% das intenções, enquanto o levantamento aponta liderança de Cleitinho Azevedo com 35% e rejeição elevada a Kalil em 43%. Em cenário sem Cleitinho, Kalil sobe para 24%, em empate técnico. A proposta do PDT serve, portanto, também como tentativa de reforçar visibilidade e adesão entre eleitores de saúde.
Do ponto de vista prático e institucional, a proposta abre perguntas sobre viabilidade, custo e efeitos reais: redução de preço dependerá de decisões complexas, envolvendo indústria, direitos de propriedade e orçamento público caso o SUS passe a distribuir o medicamento. Politicamente, a iniciativa acende alerta para adversários e para os governos sobre a centralidade do tema na agenda estadual — e sobre o preço político de promessas que exigem articulação nacional e impacto fiscal concreto.