O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), anunciou que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado deve votar, em esforço concentrado no dia 2 de setembro, a proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1. A previsão foi divulgada em vídeo nas redes sociais, em que ele afirmou a intenção de levar o texto ao plenário logo em seguida, em movimento de prioridade para a agenda social do governo.
A PEC tramita sob a relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do Executivo, que disse esperar agilizar a leitura do relatório e ouvir colegas antes da votação. Aprovada pela Câmara em maio e represada no Senado desde então, a proposta ganhou novo fôlego após a melhora nas relações entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — fator político que facilitou a retomada da pauta.
No campo político, a movimentação dá ao governo um ganho simbólico e de comunicação — reforçado pelo próprio Lula, que reiterou apoio à medida e condicionou a aprovação à manutenção dos salários. Ao mesmo tempo, a pressa por votar na CCJ expõe o desafio de costurar apoio no plenário e evitar dissidências que poderiam travar o avanço no Senado, sobretudo se surgirem disputas sobre compensações fiscais ou impacto nas categorias afetadas.
A agenda legislativa próxima também traz urgência: há previsão de reunião entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tratar de outra prioridade governista, a medida provisória sobre o imposto sobre compras internacionais, cuja validade expira em 8 de setembro de 2026. O desfecho da PEC 6x1 será um teste para a capacidade de articulação do governo pós-recesso.