A tramitação da proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas domina as articulações no Senado. Líderes de bancadas governistas e de oposição aguardam reunião do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para definir o rito antes do feriado de Corpus Christi, na quinta-feira (4). A movimentação sinaliza que a matéria — aprovada na Câmara — deve mobilizar partidos, empregadores e centrais sindicais e pode ter votação tensa se o calendário for acelerado.
O líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), pediu que a discussão avance com cautela, avaliando impactos econômicos e sociais, em especial sobre micro e pequenas empresas que concentram grande parte dos empregos formais. Izalci advertiu contra uma leitura rígida que trate a CLT como padrão imutável, mas defendeu que a modernização da jornada precisa preservar direitos e considerar o contexto da economia digital. Em alternativa, citou o projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN), que amplia a possibilidade de negociação direta entre trabalhador e empregador para definir formatos de jornada.
O debate já ganhou tom político. Integrantes da base e entidades sindicais passaram a rotular a iniciativa de flexibilização como a 'PEC da escala 7x0'; Izalci classificou essa crítica como narrativa que não corresponde ao texto apresentado pela oposição. No Senado, o presidente encaminhou tanto a PEC aprovada pela Câmara quanto a proposta alternativa à Comissão de Constituição e Justiça, e coube ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), definir o ritmo de análise e eventuais audiências públicas.
Com a pauta no centro da luta entre empresários e sindicatos, a condução do processo terá efeito direto sobre a reputação política do governo e sobre a capacidade de construir consensos em ano eleitoral. A urgência de setores por uma resposta contrasta com o pedido por estudos técnicos e audiências; a sinalização de Alcolumbre sobre o rito será determinante para medir pressão e possíveis custos políticos. A reportagem procurou o presidente do Senado; até a publicação, não obteve retorno.