O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as redes sociais nesta quinta-feira (3) para apontar aliados do adversário Flávio Bolsonaro como responsáveis pelo não avanço da PEC que acaba com a escala 6x1 no plenário do Senado. A proposta foi aprovada na CCJ, mas não chegou a ser votada em plenário, e o líder do governo Randolfe Rodrigues admitiu que a votação pode ficar para outubro caso não haja sessão extraordinária em setembro.

No post, Lula afirmou que a obstrução foi capitaneada pelo coordenador da campanha do seu opositor — uma acusação direta que marca mudança de tom do presidente, que vinha cultivando uma relação melhor com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A derrota momentânea em levar a matéria ao plenário expõe fragilidades: foram apontadas dúvidas sobre o número de votos necessários (49) e a base governista não tinha a certeza requerida para apertar o avanço.

Politicamente, o episódio acende alerta para o governo e amplia desgaste da oposição, que agora passa a ser vista como ator estratégico na obstrução de pautas sociais sensíveis. Para o Palácio, a mobilização continua; Lula reiterou defesa da medida e rejeitou a narrativa de que direitos trabalhistas precipitam um colapso econômico, citando exemplos históricos de conquistas sociais.

Na prática, o adiamento complica o calendário do governo no Senado e aumenta a pressão sobre líderes e aliados para garantir quórum e votos. O impasse também realça limites da coalizão na Casa e cria ambiente favorável a disputas políticas que podem repercutir na construção de narrativa para 2026.