O relator da comissão especial que analisa propostas de mudança na jornada 6x1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou nesta terça-feira o plano de trabalho do colegiado. Prates afirmou que a prioridade será promover diálogo com trabalhadores, empregadores e especialistas, com o objetivo de construir consensos antes da elaboração do parecer.
O cronograma, que precisa ser homologado pela comissão, prevê início imediato das audiências — com a primeira sessão já no dia 6 — e estudo aprofundado sobre os impactos econômicos, sociais e jurídicos da proposta. Estão previstas reuniões técnicas e seminários regionais em capitais como João Pessoa, Belo Horizonte e São Paulo para ampliar o debate fora de Brasília.
Segundo o relator, a PEC de base será a proposta do deputado Reginaldo Lopes, que serve como referência formal para os trabalhos. Na sessão anterior foram votados em bloco 50 requerimentos, entre eles um pedido da deputada Erika Hilton para convidar o ministro‑chefe da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, a contribuir das discussões.
Há, no entanto, uma tensão explícita entre a busca por amplo diálogo e a demanda por velocidade: Prates disse ter sido orientado a adequar o calendário para que a maioria leve a matéria ao plenário no dia 27 de maio. O calendário prevê apresentação do relatório em 20 de maio e votação na comissão em 26 de maio, um prazo curto para consolidar estudos técnicos e ouvir todas as partes.
O formato tenta conciliar legitimação política — por meio de seminários regionais — com uma agenda apertada que pode reduzir margem para aprofundamento técnico. A pressão por rapidez aumenta o custo político do relator e eleva o risco de contestações sobre a robustez das análises econômicas, jurídicas e sobre os efeitos na negociação coletiva e na saúde do trabalhador.