A proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas permanece parada no Senado em uma semana marcada por ausências e votação remota. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém a PEC na sua mesa e ainda não despachou o texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a matéria precisa andar para avançar ao plenário.

A tramitação esbarra também na prática adotada pela CCJ. O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), evita marcar reuniões em semanas semipresenciais – quando senadores podem votar remotamente – alegando baixo quórum. A combinação entre a falta de despacho e a ausência de convocações deixa a proposta estacionada, mesmo após aprovação ampla na Câmara dos Deputados, há quase um mês.

O calendário parlamentar ajuda a explicar o vácuo: o feriado de São João no Nordeste e o jogo do Brasil pela Copa do Mundo devem esvaziar a Casa, reduzindo ainda mais a urgência formal para pautas que dependem de discussões em comissão. No Plenário, senadores favoráveis reclamam da demora. O petista Paulo Paim voltou a cobrar votação, sustentando que não há razão para postergar um tema amplamente debatido na Câmara.

Ao mesmo tempo, a oposição articulou uma PEC alternativa que preserva a 6x1 e permite contratos por hora — proposta que foi despachada à CCJ por Alcolumbre já no dia seguinte à aprovação na Câmara. O movimento expõe contradição no calendário de prioridades do Senado e acende alerta sobre a capacidade da Casa de resolver pautas trabalhistas sensíveis. Para defensores da redução da jornada, o atraso amplia o desgaste político e exige reação rápida para evitar que a alternativa opositora ganhe terreno.