O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou em sessão plenária que a votação sobre o fim da escala 6x1 será realizada somente após as eleições de outubro. A proposta, considerada prioritária pela área governista, avançou na CCJ, mas continua dependendo de aval em Plenário para entrar em vigor.

Fontes próximas à liderança informaram que a contagem de votos não assegurou a maioria qualificada necessária: são exigidos 49 votos favoráveis em dois turnos. A equipe do governo reconheceu a falta de certeza sobre esse número e admite que a votação pode ficar para um esforço concentrado entre os dois turnos eleitorais, caso não haja sessão extraordinária em setembro.

O adiamento tem efeito político imediato. Adiar a votação expõe limitação na articulação do Planalto e aumenta a pressão sobre aliados, que terão de reconciliar a prioridade anunciada com a realidade dos números no Senado. A hipótese de concentrar o debate em um calendário eleitoral eleva o risco de politização do tema e dificulta um desfecho técnico e rápido.

Nas redes, o presidente Lula responsabilizou aliados do candidato adversário pela obstrução do avanço da matéria, numa tentativa de transferir o custo político da derrota provisória. A narrativa pública mostra que o impasse não é apenas técnico: é também disputa de imagem e de custos eleitorais, com potencial para reforçar desgaste do governo caso a promessa não seja cumprida em curto prazo.