O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebeu nesta quarta-feira representantes de centrais sindicais, a líder do governo no Senado e parlamentares para discutir a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal. O encontro, realizado no gabinete da Presidência e com participação do senador Paulo Paim, durou cerca de 45 minutos e teve caráter de alinhamento inicial entre as partes envolvidas.

Após a reunião, a líder do governo no Senado afirmou que a proposta não está paralisada e que segue em tramitação, mas ressaltou que ainda há procedimentos internos a ajustar para permitir a continuidade da análise. Em vez de estabelecer prazos, ela condicionou os próximos passos à realização de uma sessão temática no plenário prevista para a noite, quando deputados, senadores, trabalhadores e especialistas deverão debater impactos e cenários técnicos da mudança na jornada.

A decisão de priorizar um debate público antes de encaminhar votações demonstra intenção de dar legitimidade à proposta, mas também expõe um nó político: a bancada governista terá de conciliar a pressão das centrais sindicais — mobilizadas contra a escala 6x1 — com as exigências de quórum e consensos no Senado. Ajustes na tramitação podem alongar o calendário e transformarem um objetivo unificado em fonte de atrito entre aliados, dependendo de como ficarem redigidas as mudanças constitucionais.

Ao evitar vincular o processamento da PEC a um calendário eleitoral, a liderança busca reduzir expectativas imediatas, mas a indefinição temporal tem custo político. A demora pode ampliar a cobrança de setores que veem a proposta como prioridade, ao mesmo tempo em que abre espaço para disputas internas sobre conteúdos e compensações legais. Para o governo, o desafio será traduzir apoio social em resultado legislativo sem comprometer disciplina partidária ou estender conflitos que impactem a base aliada.

A sessão temática desta quarta-feira será, portanto, o termômetro do processo: servirá para mapear adesões, identificar pontos de ajuste técnico e medir a capacidade de costurar um encaminhamento que avance na ordem do dia. Se a proposta seguir com ajustes bem desenhados, há caminho para avanço; se as divergências prevalecerem, o risco é de que a tramitação se arraste, ampliando desgaste político e pressionando atores sindicais e parlamentares por respostas concretas.