Esta será a última semana de trabalho do Senado antes do recesso que começa em 18 de julho, e a proposta de emenda à Constituição sobre a autonomia do Banco Central tende a ficar para depois da volta ao Congresso. O relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), ainda esperava que a matéria fosse ao Plenário caso as sessões fossem presenciais, mas a sequência de reuniões semipresenciais reduziu essa hipótese.
Dois acordos costurados na Comissão de Constituição e Justiça complicam o calendário. Ficou acertado um prazo de 14 dias para que o governo analisasse o relatório e sugerisse mudanças — prazo que não foi utilizado — e, depois, que a PEC entraria em pauta na próxima sessão plenária presencial. Como todas as sessões seguintes têm sido semipresenciais, a previsão é de que a votação fique para o retorno do recesso, no início de agosto.
A proximidade do período eleitoral também é um fator de risco: a PEC exige pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos, e haverá dificuldade para montar quórum alto em Brasília nas próximas semanas. Embora o governo tenha feito críticas públicas e o ministro da Fazenda tenha defendido o fortalecimento do BC sem extrapolar competências, não houve encaminhamento formal de alterações ao texto do relator, que afirma manter o relatório como está.
Grupos de interesse seguem pressionando. A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central diz que continuará a atuar pela votação rápida, enquanto o presidente do BC alertou para deficiências legais, falta de recursos e perda de pessoal — a instituição conta hoje com cerca de 3 mil servidores, número que, segundo a instituição, representa queda próxima a um quarto na última década. O adiamento expõe um dilema político: priorizar no Senado uma reforma que, aos defensores, é vital para a capacidade operacional do BC, ou postergar a decisão diante do calendário e da dificuldade de articulação.