A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), o relatório da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da chamada escala 6x1. O placar foi de 23 votos a 4. O texto aprovado mantém a redução da jornada de trabalho dos servidores sem alteração salarial.

A relatoria ficou com o senador Omar Aziz (PSD-AM), que optou por preservar o conteúdo enviado pela Câmara dos Deputados. O levantamento dos votos dos senadores presentes foi compilado pelo Correio Braziliense durante a sessão.

A pauta é tratada como prioridade pelo governo Lula. A base governista sinalizou tentativa de acelerar a tramitação e colocar a PEC em votação no plenário ainda hoje, usando um calendário especial que reduza as cinco sessões de discussão normalmente exigidas — uma manobra que dependerá de apoio político e articulação interna.

São necessários 49 dos 81 senadores para aprovar uma emenda constitucional. A pressa governista revela uma aposta em capital político imediato, mas também aumenta o risco de desgaste: a busca por votos pode exigir concessões e amplifica questionamentos sobre o impacto fiscal da redução de jornada sem corte salarial, tema que a oposição certamente explorará em defesa da responsabilidade fiscal.

Os próximos passos dependem da capacidade da base em costurar maioria diante da resistência interna e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Se levada a plenário e aprovada, a PEC mudará rotinas de órgãos públicos e tensionará negociações com categorias; se barrada, será um revés político para o Planalto antes da corrida eleitoral de 2026.