A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas chega à Comissão da Câmara em clima de tensão. Pelo texto em tramitação, a mudança começaria a valer 60 dias após a promulgação, e a votação na comissão estava prevista para esta quarta-feira (27). O tema reapareceu como ponto de equilíbrio entre reivindicação por melhores condições de trabalho e receios sobre o impacto econômico.
A oposição criticou a proposta durante a sessão. Parlamentares do bloco apontaram que a definição da jornada deveria passar por negociação entre patrões e empregados, e advertiram que custos adicionais na folha podem recair sobre consumidores e pequenos empreendedores. Deputados contrários pediram adiamento da votação, alegando risco de perda de renda e aumento de encargos caso a redução seja imposta de forma súbita.
Autores e defensores da PEC defenderam o acordo costurado com lideranças da Câmara e do governo, ressaltando ganhos em qualidade de vida e equilíbrio familiar. Parlamentares favoráveis lembraram exemplos internacionais em que jornadas menores não provocaram declínio automático do produto interno bruto nem queda dos salários, e disseram que a proposta deixa margem para horas extras quando necessárias. Também houve quem reivindicasse avanço futuro — redução adicional e outros formatos de escala — como horizonte de debate.
O enfrentamento expõe uma fissura política com impacto prático: o PL, que resistiu à redução em fases anteriores, sinaliza manobras para alterar o formato da escala no plenário, enquanto opositores usam a pauta para questionar custos e segurança jurídica. A votação na comissão servirá como termômetro da capacidade do Congresso de conciliar mudança social com preocupações econômicas; o desfecho tende a orientar negociações posteriores no plenário e a recalibrar pressões sobre o Executivo e o Legislativo.