A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6 x 1. O texto levou votos folgados — 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo — bem acima do quórum qualificado exigido para mudar a Constituição. Com a votação consolidada, a matéria segue agora ao Senado, onde terá nova etapa de análise e possíveis alterações.

A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, amplia o descanso semanal para duas folgas — uma preferencialmente ao domingo — e prevê que a transição para o novo regime se dê em até 14 meses, sem perda salarial. O relatório aprovado teve como base um substitutivo negociado no plenário, reunindo propostas de diferentes bancadas e centrais sindicais, o que ajudou a construir a vitória ampla na Câmara.

A tramitação expôs, porém, um campo de tensão. Parlamentares ligados ao setor produtivo alertaram para o risco de aumento de custos empresariais, pressão sobre preços e dificuldades operacionais em segmentos essenciais. Do outro lado, líderes e parlamentares pró-PEC defenderam o ganho de qualidade de vida dos trabalhadores como argumento central, apresentando a mudança como avanço social e proteção a milhões de pessoas sujeitas à escala atual.

Com a aprovação na Câmara, o foco desloca-se para o Senado e para o cenário político que a proposta deixa em aberto. O placar elástico sinaliza força parlamentar, mas não zera riscos: o projeto pode sofrer modificações, enfrentar resistência setorial ou gerar contrapropostas que alterem a transição e o impacto econômico. Para o governo e para a oposição, o episódio também reconfigura narrativas eleitorais e de opinião pública, exigindo capacidade de negociação e de articulação para transformar o resultado em norma efetiva sem subestimar custos práticos.