O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que pretende se reunir ainda nesta semana com o relator da comissão especial, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), e com o presidente do grupo de trabalho, Alencar Santana (PT), para avançar na redação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. Segundo Motta, a primeira versão do texto será apresentada por Prates nesta quarta-feira (20/5) na comissão especial, e a intenção é levar a proposta ao Plenário na quarta seguinte, 27 de maio.

Apesar do cronograma apertado, o avanço esbarra em divergências relevantes. Uma das principais controvérsias é o prazo de transição para que empresas reduzam a jornada para 40 horas semanais — ponto que aproxima governistas de demandas do setor empresarial e afasta parcela da bancada trabalhista. A definição desse mecanismo é central porque disciplina custo e aplicação prática da mudança: alternativa mais curta tende a aumentar o impacto imediato sobre custos operacionais; alternativa mais longa pode ser vista como concessão ao mercado.

A movimentação expõe um nó político para Motta e para o relator. Montar um texto que resista tanto ao escrutínio dos líderes partidários quanto às pressões do Planalto e do empresariado exigirá habilidade de conciliação. Caso as conversas não avancem, o risco é que o cronograma sofra postergação ou que o texto sofra alterações de última hora no Plenário, com perda de controle sobre o conteúdo final — o que pode gerar fricção dentro da base e recrudescer críticas de opositores e sindicatos.

Além do calendário, o que está em jogo é a imagem de governabilidade: aprovar uma PEC com repercussão direta sobre mercado de trabalho e custo para empresas é teste de capacidade do Congresso em produzir reformas que combinam impacto social e viabilidade econômica. Nos próximos dias, será preciso observar se o relator consegue costurar um acordo com líderes partidários e com o governo, qual será o patamar de transição aceito e se a proposta convocará debates econômicos e jurídicos capazes de alterar o traçado do relatório antes da votação em plenário.