A comissão especial que analisa a proposta para extinguir a escala de trabalho 6x1 entra na semana decisiva com a previsão de apresentação e votação do primeiro texto já na quarta-feira (20). Em entrevista ao Correio, o presidente do colegiado, Alencar Santana (PT-SP), avaliou existir um ambiente favorável entre os deputados, sustentado pela pressão pública sobre o tema, que tende a alinhar votos em favor da mudança.

O principal nó da tramitação permanece na definição da transição. Emendas de parlamentares próximos ao campo bolsonarista propõem prazos de adaptação muito longos — chegou-se a mencionar até dez anos —, mas, segundo Alencar, há resistência dentro da comissão contra adiar demais a aplicação. Do lado governista, a orientação que veio do Planalto é pela redução da jornada sem corte salarial e sem transição prolongada, posição que tem funcionado como âncora para a base.

A disputa tem, porém, dimensão política e econômica. Setores empresariais pressionam por alternativas mais graduais, alegando impacto operacional e custos. Na prática, a decisão sobre o tipo de transição vai definir não só a velocidade da mudança, mas também o custo político para deputados que decidirem pelo tempo mais curto: votar contra uma medida com forte apelo popular pode repercutir negativamente na avaliação pública.

Mesmo diante do cenário favorável, a oposição já anunciou que usará instrumentos regimentais para retardar a votação, com pedidos de vista que podem empurrar o desfecho para a semana seguinte. O relator, Leo Prates (Republicanos-BA), ainda trabalha no parecer inicial e terá encontros de alinhamento com a presidência da Câmara, que convocou sessões extras para acelerar prazos. O quadro, portanto, combina impulso popular e risco de desgaste político, com impacto direto na negociação entre governo, base e setor privado.