A comissão especial da Câmara adiou nesta segunda-feira (25) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a chamada escala 6x1. O pedido de vista foi apresentado pelo deputado Maurício Marcon (PL-RS) logo após a leitura do parecer de 76 páginas do relator Leo Prates (Republicanos-BA), que consumiu quase três horas e meia. O presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), aceitou a suspensão; pelo regimento, o prazo automático é de duas sessões em plenário.

A expectativa é que o texto volte a ser debatido na manhã de quarta-feira (27). O relator propõe um período de transição: depois da promulgação, a jornada semanal cairia inicialmente de 44 para 42 horas após 60 dias, e um ano depois seria reduzida para 40 horas. O presidente da comissão, Hugo Motta, já indicou a intenção de votar o parecer na comissão e levar a proposta ao plenário no mesmo dia, numa tentativa de acelerar a tramitação.

O pedido de vista de um parlamentar do PL — partido da base — funciona como sinal político relevante. Mais do que um ajuste técnico, a suspensão revela necessidade de mais tempo para articulação e aponta resistência ou dúvidas dentro da própria coalizão. A estratégia de tentar votar comissão e plenário em sequência aumenta a pressão sobre opositores e aliados, mas a interrupção mostrou que o caminho não está livre e que haverá negociação extra.

Além do mérito jurídico, a proposta tem implicações práticas e fiscais: a redução da jornada exige ajustes na organização do trabalho e deve ter impacto sobre custos e escala de serviços públicos e privados. Cabe ao Congresso e ao governo apresentar estimativas críveis sobre efeitos orçamentários e operacionais antes de acelerar a aprovação. A volta do tema na quarta-feira será um teste da capacidade de costura política em torno de um tema sensível para servidores e empregadores.