A deputada federal Erika Hilton alertou nesta segunda-feira que a tramitação da proposta que acaba com a escala 6x1 corre risco de atraso caso o PL apresente um pedido de vista na comissão responsável. Inicialmente, afirmou ela, a expectativa era de que não haveria uso do instrumento regimental, especialmente porque a presença de oposicionistas na sessão vinha sendo reduzida.
Hilton reconheceu, porém, que o acionamento do pedido de vista poderia reordenar o calendário e adiar a apreciação do parecer. No governo, a estratégia passa por um acordo político entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar um atraso prolongado — e pela pressão adicional do regime de urgência, cujo prazo regimental está perto de vencer.
Para tentar contornar o impasse, a deputada sugeriu que, caso o pedido seja formalizado, a comissão seja reconvocada já na quarta-feira, com vista a votar o parecer e permitir que a matéria vá ao plenário na quinta-feira. Apesar da incerteza sobre a tática da oposição, ela manteve confiança na aprovação, mas admitiu que a disputa segue aberta.
O episódio expõe que a tramitação depende hoje mais de costura política e do respeito a prazos regimentais do que apenas do mérito da proposta. Um pedido de vista funciona como ferramenta para a oposição ganhar tempo e testar a coesão governista; para o Executivo, manter o calendário será um indicador da capacidade de articulação política nas próximas horas.