O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG) acionou a Procuradoria-Geral da República na terça-feira (27/10) com um pedido para que seja avaliada a retenção do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e a possibilidade de impedir sua saída do país. A iniciativa veio na esteira da viagem para os Estados Unidos do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na corrida presidencial, e motivou reações imediatas nas redes sociais.
Rousseff justificou a medida sob o argumento de que há coordenação entre atores do bolsonarismo e que seria preciso evitar uma eventual fuga do território brasileiro. O documento enviado à PGR, contudo, não implica que qualquer medida tenha sido adotada pela Justiça: até o momento não há decisão judicial que determine a apreensão do documento do deputado do PL.
A iniciativa provocou críticas em diferentes espectros. Usuários próximos à esquerda alertaram que a movimentação pode reforçar a narrativa de perseguição usada pela oposição e transformar um procedimento de controle em espetáculo político. Houve também quem pedisse investigações técnicas pela Polícia Federal e atuação da Procuradoria com base em provas, em vez de gestos performáticos destinados à exposição pública.
Do lado de fora do debate institucional, Nikolas respondeu com ataques públicos ao autor do pedido, acusando-o de buscar visibilidade e projetando o episódio como mais um exemplo de perseguição política. O episódio acende alerta sobre o custo político de ações que misturam cobrança institucional e disputa pública: se a PGR avançar sem elementos robustos, corre-se o risco de legitimar a narrativa opositora; se não agir, poderá ser cobrada por omissão. Em suma, o caso complica a narrativa oficial e pressiona instituições para equilibrar escrutínio e prudência.