O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 20.530 pedidos de registro de candidatura para as eleições deste ano, número que representa 8.732 solicitações a menos que em 2022. Do total, 65% (13.374) são de homens e 35% (7.156) de mulheres. A composição por raça também indica predominância de candidatos brancos: 10.013 pessoas, ou 48,77% do total, enquanto 7.418 (36,13%) se declararam pardas e cerca de 2,8 mil (13,64%) pretas; indígenas e amarelos somam parcelas residuais.
Do ponto de vista ocupacional e escolar, o conjunto de pedidos concentra perfis com maior poder econômico e escolaridade. Empresários são a categoria mais numerosa, com 2.576 registros, seguidos por advogados (1.691) e deputados (874). A maioria dos candidatos declarou ensino superior completo (58,57%). Esses dados apontam um viés de classe e formação que pode influenciar prioridades de campanha e, posteriormente, de política pública.
A disputa está fortemente concentrada nos níveis legislativos: 11.103 pedidos para deputado estadual, 7.636 para deputado federal e apenas 13 para a Presidência. A relação candidato-vaga é mais acirrada para deputado distrital (17,5 candidatos por vaga) e deputado federal (14,88). Essa pulverização e alta concorrência nas cadeiras legislativas reforça a lógica de eleição de base e pode pressionar custos de campanha e a estratégia das legendas na seleção de nomes.
Mais que dados estatísticos, o painel do TSE acende alerta sobre renovação e diversidade política. A predominância masculina, a maior presença de brancos e o número elevado de empresários entre os postulantes indicam barreiras persistentes à representatividade social. A queda no total de pedidos, por sua vez, pode sinalizar maior seletividade partidária, fusões de chapas ou custo de entrada nas eleições — efeitos que complicam a narrativa de pluralidade e renovação exigida pelo eleitorado.