Documentos entregues à Polícia Federal pela defesa da produtora Go Up Entertainment revelam despesas incomuns na produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Entre os comprovantes está um pagamento de R$ 10.000, em 5 de dezembro de 2025, descrito como “Locação Peruca Jim”. Também constam, nos papéis, gastos com hospedagem que ultrapassam a casa dos R$ 700 mil.

Seis notas fiscais somam R$ 663.165,50 e identificam pagamentos relativos ao ator James Patrick Caviezel, ao agente Nathon Lewis e a Richard Dobrich. Outras duas notas, de R$ 68.835,60, correspondem à hospedagem de Keith Billiot, apontado como segurança. Há ainda uma transferência de R$ 298.350,49, em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”, sem nota fiscal localizada nos documentos apresentados.

Os arquivos mostram também despesas menores, mas pontuais, como passagem aérea de Caviezel de R$ 54.332,46 e R$ 2.045 em atendimentos de manicure para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty. Gastos com caracterização incluem R$ 3.000 para apliques e R$ 5.500 relacionados a uma peruca para dublê e a um kit de dreadlocks, segundo os comprovantes.

Os comprovantes foram entregues à PF em 4 de setembro pela defesa e pela representante legal Karina Ferreira da Gama, em resposta a ofício que pedia origem dos recursos e contratos com profissionais estrangeiros, como Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O produtor Michael Davis, apontado como sócio majoritário da Go Up, indicou que documentos mantidos nos EUA não seriam remetidos por orientação de seus advogados, alegando necessidade de canais diplomáticos ou ordem judicial. As despesas elevadas, a falta de detalhamento em parte dos pagamentos e a resistência em compartilhar papéis da matriz no exterior reforçam os questionamentos sobre transparência em um inquérito ligado ao caso Banco Master.