Uma pesquisa Atlas/Bloomberg, realizada entre 25 e 30 de agosto com 5.000 entrevistados, aponta que 55,1% dos brasileiros consideram que as investigações da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha — afetam diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento revela uma percepção majoritária de contaminação política, enquanto 37,9% veem o caso como restrito ao filho do presidente e 7,1% não souberam responder.

O estudo traz ainda números sobre a avaliação de comportamento: 52,6% dos entrevistados acreditam que Lulinha fez uso de sua influência para obter contratos com o governo, 26,3% negam essa hipótese e 21,1% não souberam opinar. A Polícia Federal relaciona o suposto uso de influência à atuação da empresária e lobista Roberta Luchsinger, citada nas apurações que motivaram os três inquéritos em curso.

Quanto ao impacto sobre a imagem do Executivo, 43,4% dizem que as investigações pioram muito a imagem do governo Lula, 17,3% acham que pioram pouco e 37,4% entendem que não há efeito relevante; apenas 1,9% afirmaram que a repercussão melhora a gestão. O conjunto de números compõe um retrato do momento, não uma previsão eleitoral, mas oferece sinal claro de desgaste que a base governista terá de confrontar.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta: a percepção de uso de influência e o peso do enquadramento público ampliam o desgaste e complicam a narrativa oficial sobre integridade e gestão. Em um cenário em que a imagem pública é insumo central para governabilidade e alianças, os dados indicam necessidade de resposta institucional e risco de custo político substancial caso as apurações avancem.