Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg, realizada entre 26 e 30 de junho com 4.999 entrevistados por recrutamento digital aleatório (margem de erro de um ponto percentual, 95% de confiança, registro TSE BR-04582/2026), pinta um retrato político de efeito potencialmente corrosivo: o país está praticamente dividido sobre quem deve responder pelo escândalo envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner. O levantamento mostra 37,6% dos entrevistados apontando principalmente aliados do presidente Lula como os mais envolvidos, contra 36% que responsabilizam aliados de Jair Bolsonaro — diferença de 1,6 ponto, próxima à margem de erro, o que confirma o empate técnico.
O dado sobre conhecimento do caso amplia o impacto político: 71,4% dizem ter acompanhado as investigações de perto, 22,5% ouviram falar, e apenas 6,1% desconhecem o assunto. Entre os que acompanham, domina a impressão de irregularidade: 74,3% acreditam que o senador recebeu vantagens indevidas do Banco Master. Apenas 9,4% negam essa hipótese, e 16,2% declaram não saber. Importante não subestimar essa percepção — quando a grande maioria vê vantagem indevida, a disputa sai do campo jurídico e entra diretamente no político.
A consequência eleitoral e institucional aparece em várias frentes. Sobre o alcance do desgaste, 37,8% interpretam o episódio como um problema pessoal do próprio Wagner, mas 35,6% avaliam que o caso atinge diretamente o presidente Lula, e 23,5% entendem que impacta parte do governo federal. Quanto ao efeito nas urnas, entre os que conhecem as investigações 36,3% afirmam que uma eventual candidatura de Lula não será prejudicada, enquanto 32,4% preveem impacto significativo e 28,8% estimam algum dano. O quadro, portanto, não dá conforto nem para o Planalto nem para a oposição: há risco real de escalada de desgaste político no caminho para 2026.
Do ponto de vista prático, a pesquisa aumenta a pressão sobre atores institucionais e candidatos. O empate técnico na atribuição de culpa torna difícil para qualquer lado capitalizar exclusivamente politicamente o escândalo, mas amplia o custo político geral: governistas podem ver voto de confiança corroído em parte do eleitorado, e a oposição perde margem para se apresentar como única alternativa ética. Com ampla exposição pública e percepção consolidada de irregularidade, o episódio tende a permanecer no debate público e a influenciar agenda, narrativa e alianças nos próximos meses.