Um levantamento do CNT de Opinião realizado em parceria com o Instituto MDA aponta que 71,9% dos entrevistados consideram as apostas on-line um grande problema no Brasil. O dado surge em meio ao crescimento das plataformas digitais de jogos e ao debate público sobre os efeitos sociais e econômicos dessa expansão. Curiosamente, o mesmo percentual — 71,9% — identificou a busca por ganho financeiro como principal motivação para apostar, o que liga diretamente a oferta das plataformas ao apelo por dinheiro rápido.

Os entrevistados associaram as apostas a riscos concretos: 37,6% veem a prática como vício, 18,8% mencionam o endividamento como principal consequência e 11,6% citam impactos na saúde mental. Quanto à participação, 50,4% afirmam não apostar, 31,7% declaram ter alguém próximo que aposta com frequência e 11,3% admitem fazer apostas. Sobre medidas públicas, 38% defendem a proibição das apostas no país, enquanto 22% pedem maior fiscalização — um indicativo claro de pressão por intervenção estatal.

Os números têm implicações políticas e regulatórias imediatas. A combinação entre percepção de risco elevada e demandas por proibição ou controle aponta para um ambiente favorável a iniciativas legislativas ou normativas mais duras, e também expõe um dilema: como conciliar liberdade de mercado e inovação digital com a proteção de consumidores vulneráveis? Para o setor público, a pesquisa amplia a necessidade de avaliar custos sociais, mecanismos de prevenção ao vício e instrumentos de fiscalização, sem converter o debate em tabula rasa contra atividades digitais legítimas.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre 8 e 12 de abril, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02847/2026. Os resultados funcionam como um retrato do momento e colocam sobre a mesa um tema que tende a ganhar espaço na agenda pública e no debate entre parlamentares, reguladores e setores da indústria nas próximas semanas.