Uma pesquisa do Ipsos‑Ipec em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) aponta que 22% dos eleitores já foram abordados por candidatos ou cabos eleitorais com ofertas de benefícios em troca do voto. O levantamento expõe um problema persistente: 39% dos entrevistados afirmam que, no período eleitoral, a compra de votos “sempre” acontece no bairro ou cidade onde moram — percentual que sobe para 64% entre quem já recebeu proposta.
O estudo detalha formas percebidas de compra de voto: oferta de dinheiro (76%), promessa de emprego (53%), distribuição de cestas básicas (43%) e doação de materiais de construção (42%). A prática é sobretudo municipal: 59% das ocorrências citadas envolvem candidatos a vereador e 43% a prefeitos. Regionalmente, a incidência é maior no Nordeste (32%), contra 18% no Sudeste e 13% no Sul. Há ainda sinais de coerção: 18% conhecem alguém que sofreu ameaças ou pressão para votar em determinado candidato e 5% relatam ter sofrido intimidação pessoalmente.
Além do caráter ilegal — a compra de votos é crime eleitoral — o levantamento deixa claro o custo político da prática. Para 89% dos entrevistados, candidatos eleitos por meio de vantagem indevida tendem a agir em benefício próprio, não no interesse público. O diagnóstico do MCCE aponta a prática como um problema cultural e estrutural: ofertas imediatas compensam necessidades individuais, mas comprometem políticas públicas e a eficiência administrativa, transformando a escolha eleitoral em transação de curto prazo.
O sinal que a pesquisa emite é político e institucional: a persistência do fenômeno corrói a confiança nas urnas, complica estratégias de fiscalização e exige resposta articulada — educação cívica, investigação e punição efetiva. Em ano eleitoral, o retrato aumenta a urgência de medidas concretas para proteger a integridade do voto e diminuir um padrão que, além de ilegal, tem custo direto sobre a qualidade da representação municipal e local.