A primeira rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política coloca a disputa presidencial no Distrito Federal em empate técnico, a menos de quatro meses do primeiro turno. No estímulo à ação, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 34,2% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 31,1%. A margem de erro é de 3,4 pontos percentuais, com 1.095 entrevistas presenciais realizadas entre 11 e 15 de junho (registro DF-08746/2026), o que transforma a vantagem de Flávio em um quadro precário e sujeito a oscilação.
Além da proximidade nas intenções, o levantamento evidencia um problema estrutural para a campanha de Lula: rejeição elevada. O presidente acumula 53,9% daqueles que disseram que não votariam nele 'de jeito nenhum', índice superior ao do próprio filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, que aparece com 46,5% de rejeição. Esse teto de rejeição, apontado pelo instituto, ajuda a explicar por que, no segundo turno, Lula aparece em desvantagem contra adversários como Flávio (45% a 39%) e Ronaldo Caiado (53,2% a 34,9%).
O mapa eleitoral do DF também destaca forças e limites fora da polarização. Ronaldo Caiado (PSD) tem desempenho acima da média nacional no levantamento, com 11,6% no estímulo, e aparece como alternativa com menor desgaste — 25,6% declararam que não votariam nele. Candidatos menores registram números residuais: Romeu Zema, Joaquim Barbosa e Renan Santos ficam entre 2% e 3% no estímulo. Na consulta espontânea, Lula e Flávio continuam polarizando: 27,4% e 27,1%, respectivamente, e mais de metade dos eleitores demonstra inclinação por um segundo turno.
A pesquisa traz ainda indícios sobre o alcance eleitoral dos palanques: 61,3% dos eleitores dizem não ser influenciados por apoios de Flávio Bolsonaro e 50,8% não se deixam influenciar por Lula. Pior para os líderes: o efeito negativo existe — Flávio atrapalha 13,5% dos votos quando indica um candidato, e Lula atrapalha 23,5%. Para o Palácio do Planalto, o retrato do DF acende alerta político: além da necessidade de reduzir a rejeição, a campanha precisa redesenhar a estratégia regional e focar em recuperação de imagem entre eleitores liberais e conservadores da capital, onde o desgaste do governo pesa mais do que a lembrança de alianças nacionais.