A quarta rodada da pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política, divulgada nesta quarta-feira, confirma uma mudança de desenho eleitoral no Distrito Federal: Flávio Bolsonaro lidera a lista estimulada com 40,8% das intenções, seguido por Luiz Inácio Lula da Silva, com 33,6%. Juntos, os dois somam 74,4% das preferências — ante 64,7% na rodada de agosto —, sinal claro de que o espaço do meio encolheu e a disputa se polarizou entre os principais nomes.

O levantamento revela duas dinâmicas simultâneas e relevantes: a queda dos candidatos médios — destaque para Augusto Cury, que recuou de 10,9% para 4,8% — e a redução da indecisão. Segundo o CEO do OPINIÃO, Alexandre Garcia, as altas de Flávio (+5,4 pontos) e de Lula (+4,3) superam a margem de erro, o que indica movimento real de consolidação e não mera oscilação estatística. Na sondagem espontânea, sem lista de nomes, Flávio chega a 37,1% e Lula a 31,5%, reforçando o reconhecimento de ambos entre os eleitores candangos.

Os cenários de segundo turno simulados trazem pistas sobre a competitividade da disputa: em confronto direto com Lula, Flávio aparece com 48,7% contra 40,2% do presidente. Outros matchups também mostram dificuldades para o petista: Caiado tem 51,1% contra 36,9% de Lula; Zema marca 41,8% contra 40,2%; e Cury surge com 44,6% ante 38,7% do presidente. Ao mesmo tempo, a rejeição segue elevada — Lula atinge 51,3% e Flávio 40% — indicando que, apesar do avanço nas intenções, ambos carregam índices de impopularidade que podem influenciar decisões em cenário de dois turnos.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para duas frentes. Para a campanha governista, o resultado complica a narrativa de domínio automático: Lula cresce, mas enfrenta rejeição e perde vantajosidade nos embates simulados. Para a oposição, o avanço de Flávio amplia a pressão para transformar liderança em prioridade de mobilização e estratégia na base eleitora do DF. A rápida erosão do 'centro' revela ainda que estratégias de candidaturas alternativas terão menos espaço para negociação de apoios. Em resumo, o levantamento modifica as prioridades táticas de ambos os campos e exige ajustes de campanha, mensagem e aliança em um eleitorado que se polariza com velocidade.