O levantamento Genial/Quaest divulgado nesta semana devolve ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um saldo positivo de avaliação pela primeira vez desde dezembro de 2024 e o coloca com 40% das intenções de voto em cenário de primeiro turno, segundo os números citados pelo PT. Em simulação de segundo turno, conforme a nota do partido, Lula aparece com 45% contra 37% de Flávio Bolsonaro. O secretário nacional de Comunicação do PT, Eden Valadares, atribuiu a melhora à execução do governo e ao impacto de medidas econômicas recentes, citando programas como Imposto de Renda Zero e Desenrola 2.0.
O pronunciamento do PT segue a lógica de leitura política esperada: transformar uma pesquisa — que é retrato do momento — em sinal de que decisões adotadas pela gestão começam a repercutir entre eleitores. Há, de fato, efeito simbólico e material quando o comando do Planalto consegue ligar sinais de política pública a ganhos na renda percebida pelo eleitor. Politicamente, a consolidação de vantagem em cenários eleitorais imediatos alivia pressões e pode abrir espaço para uma estratégia de fortalecimento institucional e eleitoral nos meses seguintes, mas não elimina riscos futuros nem garante resultados definitivos em 2026.
Do lado oposicionista, Valadares não poupou críticas e classificou como fracassada a estratégia do campo bolsonarista. Na nota, o dirigente do PT afirmou que tentativas de vitimização, antecipação de campanha e outras manobras não surtiram efeito, e destacou queda de 8% no apoio entre eleitores que se identificam com a direita, conforme a leitura do partido. O comunicado também citou episódios que pesam na imagem do senador Flávio Bolsonaro — referências a #BolsoMaster e #TariFlávio e menções a suspeitas sobre aliados no Rio de Janeiro — apresentados pelo PT como elementos de desgaste do PL. Trata-se de um enquadramento político: são acusações e narrativas que o partido usa para marcar território na disputa.
O resultado da pesquisa, portanto, funciona como instrumento de pressão: para o PT, reforça a narrativa de recuperação e exige que a oposição revise mensagens e candidaturas; para o bolsonarismo, acende um alerta sobre a necessidade de mudança de estratégia e de resposta às alegações que o PT tem explorado. Resta saber se a tendência se confirma em amostras futuras e se ganhos de curto prazo serão convertidos em credibilidade sustentada pelo governo — condição necessária para transformar leve recuperação em vantagem estrutural rumo a 2026.