A nova pesquisa encomendada pelo Canal Meio S.A. e produzida pelo instituto Boas Ideias será divulgada nesta quarta (9/9). Foram realizadas 1.500 entrevistas por telefone entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro máxima de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-07935/2026 e com custo declarado de R$ 27,6 mil, é o primeiro em que todas as entrevistas ocorreram depois do agravamento da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Por isso, tende a espelhar impressões do eleitorado já influenciadas pela tensão entre os Poderes.
Os dados anteriores, divulgados em 5 de agosto, mostravam uma corrida concentrada em dois nomes: Luís Inácio Lula tinha 43% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro vinha em 35%. Juntos, os dois chegavam a 78% das preferências no cenário pesquisado, com candidatos como Ronaldo Caiado (5,7%), Renan Santos (4,7%) e Romeu Zema (2,6%) ficando muito atrás. A rodada anterior também apontou rejeição elevada para ambos os líderes — 48% para Lula e 48% para Flávio Bolsonaro — sinal claro de que a polarização convive com um teto de impopularidade para os dois principais polos.
Da perspectiva política, a nova rodada acende alerta para diferentes atores. Para o governo e seus aliados, a forte concentração nas lideranças e a rejeição elevada mostram que eventual vitória em primeiro turno não está assegurada e que desgaste adicional — político ou institucional — pode complicar a formação de maioria. Para a oposição e candidaturas alternativas, os números anteriores reforçam o desafio de romper a bipolarização e criar espaço consistente no eleitorado. A circunstância de todas as entrevistas terem ocorrido após episódios que recolocaram a relação entre os Poderes no centro do debate aumenta a possibilidade de oscilações motivadas por percepções sobre governabilidade e instituições.
É cedo para prever rupturas definitivas a partir de uma única rodada, mas o contexto indica maior volatilidade e risco de amplificação das narrativas adversas a quem perder espaço nas próximas leituras. A pesquisa promete, portanto, não só medir intenções de voto, mas também oferecer pistas sobre como a crise institucional repercute eleitoralmente e pressiona estratégias de campanha. Os resultados serão publicados no site do Correio; o leitor pode acompanhar a divulgação e as análises complementares pelo canal do Correio Braziliense no WhatsApp.